domingo, 6 de fevereiro de 2011

Na Margem do Rio Piedra eu Sentei e Chorei - Paulo Coelho

Resumo do livro

Numa história de amor estão os mistérios da vida. Pilar e seu companheiro conheceram-se na infância, afastaram-se na adolescência e onze anos depois, tornaram-se a encontrar. Ela, uma mulher que a vida ensinou a ser forte e a não demonstrar os seus sentimentos. Ele, um homem capaz de fazer milagres, que procura na religião uma solução para os seus conflitos.
Pilar constantemente recebia cartas do seu companheiro de infância, mas a última carta que ela recebeu dele dizia que ele se encontrava em Madrid, para dar uma palestra e que fazia questão de ter a presença dela.
Pilar viajou durante quatro horas, de Saragoça a Madrid, porque tinha saudades dele e queria torná-lo a ver, ouvi-lo, conversar e lembrar os seus tempos de infância.
Quando Pilar chegou a Madrid foi para a conferência onde ele estava. Depois de a palestra ter terminado, foram para um café. Ai conversaram, no qual ele disse a ela que no dia seguinte iria ter uma palestra em Bilbau e tentou convencê-la a ir com ele.
Ela não estava muito certa disso, pois tinha de voltar para Saragoça, porque era lá que ala tinha a sua vida. Acabou por acompanhá-lo, porque se aproximava o feriado da Imaculada Conceição.
Viajaram até Bilbau. Depois de terem chegado e de porem as malas no hotel, foram para a conferência, mas quando lá chegaram ainda era muito cedo e aproveitaram para ir beber um café. Entretanto ele virou-se para Pilar e enquanto lhe dizia que tinha uma coisa para lhe dar, entregava-lhe um saco vermelho. Pilar abriu o saco e lá dentro encontrava-se uma medalha velha e enferrujada com a Nossa Senhora das Graças de um lado e do outro o Sagrado Coração de Jesus. Enquanto ela via o que ele lhe tinha dado, ele dizia que era a medalha que ela tinha perdido na Ermida de São Satúrio, na adolescência, na altura em que lhe tentara explicar o que realmente sentia por ela mas não conseguira. Após estes anos todos, agora, ele conseguira realmente expressar-se e dizer o que sentia, que a amava.
No outro dia a seguir caminharam até uma capela que se encontrava em San Martín de Unx, mas quando lá chegaram, apesar de as portas estarem abertas eles não puderam entrar, pois um velho que estava na porta, não os deixava entrar, dizendo que não podiam, porque estava fechada e só voltaria a abrir por volta das 16 horas, apesar de eles terem visto que a ermida se encontrava aberta, ainda tentaram espreitar lá para dentro, mas não conseguiram ver grande coisa.
Como o velho não os deixava ver a ermida, ele decidiu pegar em Pilar pelo braço e entrar dentro da ermida, mesmo sem autorização do velho.
Há noite chegaram com uma névoa tão forte que mal dava para ver onde estavam, acabando ele por dizer a Pilar que estavam em Saint-Savin. Arranjaram um quarto onde pudessem dormir, jantaram e foram até junto de um poço, onde estiveram um longo bocado a beber e a conversar.
Dois ou três dias depois, durante um jantar acabaram-se por envolver. No outro dia a seguir, Pilar e o seu companheiro foram passear até que chegaram finalmente à maior cascata do Piedra - que junta as águas de pequenos riachos espalhados e as atira de uma altura de quase trinta metros. Juntaram-se até lá e entraram numa gruta, mas entretanto, depois de já estarem lá dentro, ele começou a falar com Pilar e contou-lhe que tinha devolvido os seus dons através de práticas carismáticas.
Pilar, ficou muito chateada com ele e foi-se embora, pois sabia que ele estava a deixar de ajudar muitas pessoas, apesar de ele lhe ter dito que esse dom não se desperdiçaria, porque ia para outras pessoas.
Depois de Pilar ter saído de ao pé do seu companheiro, foi para a margem do Rio Piedra, ai sentou-se e chorou. Não se lembra de muita coisa, as memórias daquela noite são muito vagas e confusas. Acabou por adormecer ali.
No dia a seguir, a Pilar foi acordada com um homem a sacudi-la. O homem deu-lhe uma coisa qualquer para ela beber e depois disso Pilar tornou a fechar os olhos.
Voltou a acordar no convento, com uma mulher a olhar para ela, dizendo-lhe que ela quase tinha morrido. A mulher levou-a até à cozinha e deu-lhe café, biscoitos e pão com azeite. Não lhe fez pergunta nenhuma e Pilar não lhe explicou nada.
Quando Pilar acabou de comer, a senhora devolveu-lhe a mala. Pilar começou a contar tudo o que se tinha passado. A senhora, depois de Pilar ter-lhe contado a história, deu-lhe umas folhas e uma caneta e disse-lhe para ela escrever tudo o que sentia num papel e em seguida deitar o papel fora, porque o que constava na lenda, é que o Rio Piedra é tão frio, que tudo o que lá cai nele- folhas, insectos, penas de aves - se transformam em pedra.
Pilar pegou nos papéis, a senhora deu-lhe um beijo e deisse-lhe que se ela quisesse, podia voltar para o almoço.
Pilar ficou a olhar para o rio, começou a chorar até que não houvesse mais lagrimas e, quando as suas lágrimas se acabaram ela começou a escrever.
Escreveu durante um dia, e outro, e mais outro. Todas as manhãs ia para a margem do Rio Piedra.
A mulher que a tinha acolhido, fora muito simpática para ela, todos os dias lhe dava comida, lavava-lhe a roupa, falava com ela e dava-lhe uma cama para ela poder dormir descansada.
Certa manhã, quando Pilar já estava quase no fim do manuscrito, ouviu um barulho de um carro. Ela ficou entusiasmada e ao mesmo tempo magoada, lembrando-se de tudo o que lhe tinha acontecido, de tudo por que tinha passado.
Uma pessoa dirigia-se para perto dela, era quem ela pensava, o seu amado. Ele chamou por ela, mas Pilar não lhe respondeu. Ele acabou por se sentar ao pé dela, e ficou ali junto dela a olhar para o rio, enquanto Pilar escrevia sem parar. Passaram uma manhã inteira assim - sem dizerem nada um ao outro. Pilar de um momento para o outro lembrou-se de uma noite que passaram junto a um poço onde se tinha apercebido que o amava.
Quando Pilar se cansou de escrever, parou e foi ai que ele lhe explicou, que naquela noite em que ela tinha desaparecido, ele foi a correr atrás dela, mas já estava noite e não conseguio encontrá-la. Depois disso, com esperança de a encontrar, procurou-a, foi até Saragoça, percorreu todos os lugares que pudesse imaginar encontrá-la, foi até ao Mosteiro da Piedra para ver se achava alguma pista, e encontrou uma mulher que lhe mostrou o lugar onde Pilar se encontrava, dizendo que ela já há muito tempo que esperava por ele.
Ele olhou para Pilar e disse-lhe que ia esperar por ela, que enquanto ela estivesse junto aquele rio, ele ficaria com ela, enquanto ela dormisse, ele dormiria em frente à casa dela, e que só saía dali, quando ela o expulsa-se, mas saía dizendo o quanto gostava dela.
Ao ouvir aquelas palavras, Pilar deu-lhe as suas folhas onde ela tanto escrevera, para ele ler.
Durante a tarde inteira, Pilar estivera junto ao Rio Piedra, passeara pelos bosques, pelas pequenas cascatas, pelas encostas cheias de histórias e significados.
No final da tarde, ela regressou ao lugar, onde o tinha deixado. Ele pediu-lhe perdão, conversaram e depois disso, ele agarrou-lhe pelas mão e levantou-a dizendo-lhe para ir buscar as suas coisas.


Paulo Coelho
O escritor brasileiro Paulo Coelho nasceu em 1947, na capital do Rio de Janeiro.
Antes de se dedicar à literatura, trabalhou como director e autor de teatro, compositor e jornalista.
Paulo Coelho escreveu letras de músicas para intérpretes como Elis Regina e Rita Lee, mas os seus trabalhos mais conhecidos na área musical foram as parcerias com Raul Seixas.
Em 1982, editou o seu primeiro livro "Arquivos do Inferno".
Entre muitas obras, publicou "O Alquimista" em 1988.
Paulo Coelho já vendeu mais de 37 milhões de exemplares em todo o mundo. A sua obra foi traduzida para mais de 56 línguas e editada em mais de 150 países.

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